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Prepa Emocional

Saiba quais são os benefícios de educar emocionalmente as crianças

Quando pergunto aos pais qual é o seu maior desejo sobre o futuro de seus filhos, sempre escuto: “Que eles sejam felizes, estudem, sejam competentes, tenham uma família feliz, um casamento feliz, sejam independentes, com sucesso, contribuam para a sociedade…”

Percebo que os pais desejam que seus filhos façam boas escolhas, mas quais são os ingredientes necessários para que os filhos cresçam aptos a fazê-las?

Uma pesquisa realizada em Harvard acompanhou 95 universitários até a meia idade e concluiu que os alunos com melhores notas não foram mais bem sucedidos comparados aos colegas que não alcançavam bom desempenho em termos de salário, produtividade, status, tampouco tinham maior satisfação na vida, ou eram mais felizes em seus relacionamentos interpessoais, família ou relacionamentos amorosos.

Com o avanço das pesquisas sobre inteligência emocional descobriu-se que o QI não era o preditor número um de sucesso, e que ele contribuiu com cerca de 20% para os fatores que determinam o sucesso na vida, restando 80% a outros componentes como: a capacidade de manter-se motivado diante de frustrações, a controlar impulsos, adiar gratificações, a regular o próprio estado emocional para que ele não interfira em sua capacidade de pensar e ser empático. Essas habilidades correspondem à inteligência emocional e o ponto chave é que elas podem ser aprendidas e aprimoradas desde a infância.

Observe os números crescentes no índice de usuários de álcool ou outras drogas, da criminalidade e da taxa de nascimentos entre adolescentes, dos índices de doenças sexualmente transmissíveis, considerando o elevado número de programas informativos instalados em escolas e meios de comunicação, mas pouco eficazes para alterar esses dados. Você já se perguntou por que eles pouco influenciam as escolhas dos adolescentes?

A habilidade de tomada de decisão é uma função executiva que depende, também, da maturidade cerebral, mais especificamente do córtex pré-frontal, por isso é comum que as crianças e adolescentes apresentem dificuldade em realizar escolhas adequadas avaliando suas consequências, dado que reforça a importância dos pais em repetirem exaustivamente as mesmas orientações.

Considerando que as crianças e adolescentes não tem um conjunto biológico apropriado para decidir de maneira eficaz, os pais podem ajustar as expectativas e permitir que eles falhem. Em contrapartida, os pais devem assumir um papel mais ativo em auxiliá-los a acionarem suas funções mais nobres do cérebro e a serem mais competentes emocionalmente.

O psicólogo John Gottman e sua equipe de pesquisadores da Universidade de Illinois e da Universidade de Washington estudaram 119 famílias e acompanharam as crianças desde os quatro anos até a adolescência, identificaram habilidades parentais que garantem a educação de filhos emocionalmente preparados.

De acordo com suas pesquisas comprovou que um pai que adota um estilo preparador emocional contribui enormemente para o desenvolvimento emocional e para que os filhos tornem-se adultos mais saudáveis e bem sucedidos.

Gottman destacou a importância de construir laços emocionais mais fortes com os filhos como um fator de proteção a riscos, pois as crianças capazes de sentir o amor e o apoio dos pais estão mais protegidas contra as vulnerabilidades sociais que incluem o suicídio, a violência juvenil, o comportamento antissocial, o vício das drogas, as atividades sexuais precoces, dentre outras mazelas sociais.

O preparo emocional das crianças não é a tábua de salvação de todos os males, considerando que existem problemas sociais significativos e vulnerabilidades biológicas que afetam as estruturas familiares e os indivíduos, mas as pesquisas comprovam que déficits em habilidades socioemocionais aumentam os riscos para as crianças e adolescentes, e educá-los emocionalmente tem impactos positivos e protetores.

Mas o que muda quando as crianças são preparadas emocionalmente?

  • Elas são fisicamente mais saudáveis;
  • Apresentam melhor desempenho acadêmico;
  • Apresentam maior capacidade de manter bons relacionamentos com os amigos;
  • Tem menos problemas de comportamento;
  • São menos propensas a violência;
  • Apresentam menos sentimentos negativos e mais sentimentos positivos;
  • São mais maleáveis, ou seja, experimentam estados emocionais como raiva, tristeza ou medo, mas são mais capazes de se acalmar, sair da angústia e procurar atividades produtivas;
  • Estão mais protegidas contra os efeitos nocivos de possíveis crises (como divórcio e conflitos conjugais).

A formação emocional dos filhos depende das informações diárias que eles recebem, pois aprendem por espelhamento, ou seja, internalizam os comportamentos observados por seus pais e outros cuidadores, através do exemplo, por isso, devem utilizar as oportunidades dos desafios diários para construção de recursos em seus filhos.

As famílias podem se beneficiar integralmente ao utilizar estratégias simples e eficazes para nutrir seus filhos emocionalmente e assim as crianças e os adolescentes estarão aptos a realizarem escolhas mais funcionais e saudáveis ao longo de suas vidas, mesmo quando enfrentarem adversidades.

Referencia:

Goleman, Daniel. Inteligencia Emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.

Gottman, John. Inteligencia emocional e a arte de educar nossos filhos: como aplicar os conceitos revolucionários da inteligencia emocional para uma compreensão da relação entre pais e filhos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

Siegel, Daniela J. O cérebro da criança. 12 estrategias revolucionarias para nutrir a mente em desenvolvimento do seu filho. São Paulo: Nversos, 2015

Tais Bedin

Psicóloga Clínica, atua desde 2010 na clínica, Especialista em Terapia Sistêmica para Casais e Famílias, Especialista em Terapia Cognitiva Comportamental e Facilitadora do Programa de Prevenção Friends for Life.

Acredita que a sua missão como psicoterapeuta, de modo colaborativo e humanizado, é auxiliar as pessoas a reconhecerem suas próprias possibilidades e a qualificar suas relações, para isso, desenvolve em seu consultório programas de prevenção e tratamento, para crianças, adolescentes e adultos.

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