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CANTINHO DO PENSAMENTO

O cantinho do pensamento funciona?

Atualmente, durante a prática clínica, observo que os pais buscam melhores alternativas para educar e quando decidem não bater optam pelo cantinho do pensamento.

Ao estabelecer uma pausa para pensar no cantinho, os pais criam a expectativa da criança parar o mau comportamento e refletir sobre ele, o que tecnicamente é pouco provável, porque dificilmente dominam as habilidades de se acalmar, refletir sobre o erro e como resolver um problema.

Infelizmente para os menores essa técnica provoca apenas isolamento e um sentimento de rejeição, completamente o contrário do que você gostaria que acontecesse, correto? E durante todo o tempo em que estarão sentados lá pensarão em como você foi mal por tê-lo colocado no cantinho.

Outro problema, as pausas para pensar não servem para ensinar nenhuma lição porque não estão relacionadas ao mau comportamento e por isso não promovem mudança comportamental.

Resumindo: o cantinho do pensamento não é eficaz para a mudança comportamental porque não promove nenhum tipo de aprendizagem sobre como melhorar o que está errado.

Então qual a melhor decisão no momento de disciplinar?

As pausas podem ser utilizadas quando não têm o objetivo de punição, mas sim de auxiliar a se acalmar e interromper o comportamento, afinal é difícil encontrar soluções quando estamos com muita raiva ou triste.

Ao ensinar as crianças e adolescentes a se acalmarem estamos oferecendo a oportunidade de refletir internamente e construir as funções executivas que gerenciam o controle da impulsividade e a capacidade de resolver problemas.

Para isso, em casa, os pais podem construir junto com os filhos um espaço que será utilizado com o objetivo de se acalmar, reunindo recursos, de acordo com a idade, que poderão ser úteis para se recuperar de uma tempestade emocional como: brinquedos, música, canetinhas, caderno de desenho, livros, carrinhos, potinhos da calma, jogos, almofadas, mantas, dentre outros. Também podem construir um mapa com algumas ideias para que visualizem e utilizem no momento em que sentirem a necessidade de diminuir a sobrecarga emocional.

Após um tempo, com todos mais calmos, é o melhor momento de decidir como resolver o problema. É muito importante incentivá-los a buscar as alternativas de resolução com perguntas curiosas, tentando evitar o famoso sermão de “como as coisas devem ser” e encontrar respostas que estejam conectadas com o comportamento a ser modificado, como por exemplo:

– Qual o tamanho deste problema?

– Você acha que pode resolver um problema pequeno sozinho ou precisa da minha ajuda?

– Qual a melhor maneira de resolver este problema?

 O que você estava tentando fazer? Há outra maneira de conseguir isso sendo respeitoso com o seu irmão?

– Como você acha que ele se sentiu diante do que aconteceu? Há alguma coisa que você possa fazer para ele se sentir melhor?

– Você faria algo diferente na próxima vez? O que você aprendeu com isso?

– Você quer organizar o seu quarto sozinho ou precisa da minha ajuda?

– O que você precisa para limpar o leite que derramou no chão? Você quer tentar fazer isso sozinho ou precisa da minha ajuda?

Outra alternativa é dar a oportunidade para agir de modo diferente, como se fosse uma segunda chance. Então se ele usar uma linguagem desrespeitosa, você pode pedir para tentar novamente e comunicar de maneira respeitosa.

É claro, existem inúmeras alternativas que você pode utilizar neste momento além destas, o meu objetivo não é ensinar uma receita, mas oferecer opções mais respeitosas e que promovem a construção de habilidades valiosas para a vida. Como pais não precisamos ser perfeitos, mas acredito fortemente que envolver os filhos na solução dos problemas e dar oportunidade para que eles aprendam com seus erros os tornará resilientes.

 

Tais Bedin

Psicóloga Clínica, atua desde 2010 na clínica, Especialista em Terapia Sistêmica para Casais e Famílias, Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, com formação em Neuropsicologia e em Disciplina Positiva.

Acredita que a sua missão como psicoterapeuta, de modo colaborativo e humanizado, é auxiliar as famílias a enfrentarem os desafios do desenvolvimento infanto-juvenil, ajudar as crianças e adolescentes a superaram as adversidades e a desenvolverem habilidades para a vida.

Para isso, desenvolve em seu consultório orientações para ajudar os pais a criar vínculos mais respeitosos com seus filhos e realiza psicoterapia para crianças e adolescentes.

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